ARQUIVO INDIVIDUAL


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03
fev

Rui ouvia música deitado na cama. O quarto estava com a porta fechada, com o estore descido e sem a luz acesa. Enquanto a cama se moldava ao seu corpo e a inercia se instalava, a agulha do gira-discos chegou a uma parte riscada. Rui levantou a cabeça e suspirou. Voltou a pousar a cabeça e eventualmente a agulha acabou por saltar o risco. Mais um pedaço de melodia, um piano e uns violinos e Rui ficava mais inerte, embalado pela música até que novamente a agulha embateu noutro risco, fazendo o singular e familiar ruido de um disco riscado. Incomodado Rui sentou-se na cama ouvindo o irritante e repetitivo som da agulha no risco do disco. Pensando que a agulha voltaria a ultrapassar o risco, deitou-se. No entanto parecia não haver nada a fazer. Rui suspirou novamente e pensou em levantar-se e mudar o disco. Sozinho ele não se mudava. Mas a inércia era grande e ele lá ia ficando na cama a ouvir o risco. Saída do nada, pausando momentaneamente a sua vida, entrou no quarto a mãe de Rui. "Estás surdo?! Não vês que o disco está riscado. Não achas que devias desligar aquilo? Muda de disco e abre-me esta janela!" Mas rui continuava deitado e respondeu um "sim" distante e pouco convicto. A mãe continuou "devias mesmo desligar o disco, só está a fazer mal ao aparelho. Mas faz o que quiseres, eu cá nem sei trabalhar com aquilo. Só tu é que o podes parar." e saindo do quarto, fechando tudo de novo, deixou Rui deitado na cama a ouvir o disco riscado. Irritado por o disco não se mudar sozinho e seguindo o conselho lá se levantou. Desligou a música. Abriu a janela e olhou lá para fora :"Quem diria!? Está Sol!"

POR: B (23:27) | ARQUIVADO EM: Moleskine (Ficção) |

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