jun
(...)
Cheguei finalmente a casa. No topo dos sessenta e cinco degraus esperava-me a enorme porta castanha escura. Enfiei a chave na fechadura e rodei-a quatro vezes. A porta abriu com o ranger que já era habitual. O silêncio da casa só era perturbado pelo zumbido distante do frigorífico. Limpei os pés no tapete como já era habitual. Quando dei o primeiro passo dei conta que tinha pisado qualquer coisa. Olhei para o chão e vi um envelope cinzento debaixo do meu pé esquerdo. Baixei-me e apanhei-o do chão com um ar intrigado. Olhei para trás como se fosse descobrir a pessoa que o colocou por baixo da porta. Fechei a porta e pousei as chaves na mesinha da entrada. Segurei o envelope mistério entre os lábios e peguei nos sacos do supermercado. Fui até à cozinha e pousei-os em cima da mesa de madeira. Voltei a pegar no envelope e fiquei uns segundos a olhar sem muita reacção. Virei-o entre os dedos. Não estava colado. Abri-o e retirei lá de dentro um cartão branco, escrito à mão com tinta azul:
You're the sweet crusader and you're on your way. You're the last great innocent and that's why I love you
(...)









