ARQUIVO INDIVIDUAL


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13
nov

Quando viver sozinho (coisa que eu duvido que alguma vez seja capaz...) terei que obrigatoriamente ter uma máquina de café expresso. Não há nada que se compare a um café "como deve de ser" tirado pelas nossas próprias mãos. Já para não falar do alívio que foi para as dores de cabeça...

POR: B (21:32) | ARQUIVADO EM: Dentro da Bolha |

Comentários:
Jos Ribeiro disse:

Sade!

No custa nada, do ponto de vista organizativo, viver s: mesmo muito mais fcil que viver acompanhado. J vivi sozinho durante quatro anos e foi trivial.

O problema consiste nas relaes com o "outro" - his porca rabo torcet. muito difcil passar longos perodos sem uma pessoa ante a qual possamos ser sem disfarce iguais a ns prprios, sabendo que, ainda assim, apesar das insuficincias e defeitos, podemos sempre contar com ela. So raros os amigos nestas condies. Sem falar na necessidade de ternura e carinho, para o que, a partir de certo nvel, no se pode contar com um amigo ( ou deixa de ser amigo, para passar a ser um pouco mais ). : provavavelmente, est no nosso cdigo gentico esta necessidade do "outro" ( e no estou a brincar ) - ao fim e ao cabo, como poderia a espcie ter sobrevivido com uma populao de ensimesmados?

Quanto ao caf: Sim, bom - mas nada que se compare ao ch. Um Earl Grey ou um Irish Breakfast quentinho, sem acar, com uma roda de limo, dois ou trs corintos, um eventual farrapinho de leite - faria o Todo Poderoso arrenegar de si prprio. No falando do efeito de panasquice: experimenta pedir num tasco alentejano, s nove da manh, rodeado de tipos a beber minis, ou copos de vinhaa, ou ( moda espantosa, importada de Frana nos anos 90 ) grandes clices de Porto rasca gelado, experimenta pedir um Earl Grey quentinho - e passars por uma experincia enriquecedora e inolvidvel.

Vale,
Z Ribeiro.

Em: novembro 14, 2005 3:23 PM
Enoch disse:

Uma das coisas que me fazem sentir mais saudades so as torradas! H anos que no como torradas como as que fazia em casa dos meus pais: o cheirinho, o tpico po dali, o acompanh-lo com um chocolate quente minha maneira... Quando for grande (!) vou ter uma torradeira como a dos meus pais, das antigas com duas portas laterais, e vou encher as manhs de domingo com cheiro a torradas quentinhas com a manteiga a escorrer...

Em: novembro 15, 2005 1:31 AM
Jos Ribeiro disse:

Carssimo Enoch:

Dize-me, por favor, como o chcolate quente " tua maneira".

Com baunilha? Ou com gemas de ovos? Ou com massa de amndoa torrada e essncia da mesma? Ou com piri-piri? Ou de alguma outra maneira que desconheo?

Adoro chocolate quente numa manh chuvosa e ventosa de Inverno...

( Fading in...
Schplim, schplim, schplim,...- caem as gotas no pavimento.
Qtleq, qtleq, qtleq,...- batem as persianas.
Grpfwfrv, grpfwfrv, grpfwfrv,...- ruge o meu estmago vazio.
Rontchuik, rontchuik, rontchuik,...- ronrona o mesmo repleto.
Fading out ).

Obrigado,
Z Ribeiro.

Em: novembro 15, 2005 6:42 PM
Enoch disse:

:-)
Preferia que no tivesse perguntado...
J o descrevi como " minha maneira" precisamente para lhe dar um tom neutro, sem nenhuma conotao qualitativa. Preparo-o da forma mais simples que h, de tal forma que no sei nem se merece o ttulo de "chocolate quente"... Com chocolate em p, desse que se coloca no leite, e gua quente. S isso. E um nada de acar...
Pergunto-me qual seria o resultado de acrescentar a esta mistura uns pozinhos de piri-piri...?

Em: novembro 16, 2005 1:46 AM
Jos Ribeiro disse:

Carssimo Enoch:

muito bom com piri-piri: uma ideia mexicana, alis como a massa de amndoa torrada e a essncia de amndoa.

( O teu nome e o teu nickname representam o que eu penso que representam? Se representam, apresento-me: tambm sou. )

Vale,
Z Ribeiro.

Em: novembro 16, 2005 11:41 AM
Enoch disse:

:-)
Se sou religioso? Va a ser que no... O meu nome o verdadeiro, o que me deu a minha me depois de muito hesitar entre esse e Frederico. Uma questo de gostos, apenas. Pessoalmente, parece-me que fez a escolha acertada.
Quanto a Enoch, deixei-me impressionar pelo personagem bblico e pela sua histria, que me remeteram ao mundo fantstico do meu universo juvenil. Ainda hoje um tema que me desperta muito interesse.
Mas no sou religioso. Era esta a pergunta? No encontro outra relao entre os dois nomes... No acredito em entidades divinas, associo a religio catlica a uma histria de sangue e crimes hediondos e acredito que a nossa conscincia fruto dos impulsos nervosos entre os neurnios. Mas sou crismado, se lhe serve de consolo... :-)
Confidncia por confidncia, confesso que tambm tenho uma curiosidade sobre si: a sua passagem frequente pelo blog do B., os comentrios que faz, e depois... ficamos a saber que pai de dois filhos... er... sabe onde quero chegar...?
Espero que no lhe incomode o atrevimento...

Em: novembro 16, 2005 3:31 PM
Jos Ribeiro disse:

Carssimo Enoch:

Ponto prvio: desagradvel eu tratar-te por "tu" e tu tratares-me na terceira pessoa. Proponho-te que usemos "tu" nos dois sentidos. Se, por algum motivo, te custa usares o "tu", passarei eu a usar tambm a terceira pessoa. Mas julgo que a igualdade de tratamento desejvel.

Primeira questo que levantaste: Tinha eu perguntado se eras religioso? A resposta no.

"David" um nome judaico comum. To comum que na Alemanha nazi a legislao sobre o registo civil obrigava os judeus a terem-no por um dos nomes prprios ( "Sara" era obrigatrio para as judias ). Enoch , como disseste, um personagem bblico conhecido, o stimo patriarca, segundo o Gnesis; "Enoch" tambm um nome muito frequente entre os judeus e rarssimo em Portugal. Assim, perguntava-te se eras judeu.

Tecnicamente, no sou judeu. De acordo com a Lei ( religiosa judaica ), judeu quem nasce filho de judia ou quem se converte religio judaica. Ora minha me gentia ( meu pai que era judeu ) e eu sou tranquilamente ateu. Dito isto, je tiens au coeur mon hritage juif, e no consigo apreender-me e compreender-me privado dessa parte de mim prprio.

Segunda questo que levantaste: Sei perfeitamente onde queres chegar, escusas de estar com esses "...er...", esses passos de dana. Perguntas-me se sou gay, homo, paneleiro, panasca, ... - usa o termo que quiseres, que convivo pacificamente com todos eles. A resposta simples: desde a minha adolescncia que reconheo em mim uma parte de "gayness", no exclusiva, mas aprecivel.

Houve tempos em que me preocupava saber a percentagem exacta...50%? 60%? 40%? Hoje, estou-me borrifando para tais preocupaes. Ao longo da minha vida, tive sexo com homens e mulheres, amei alguns deles e uma delas. Aprendi que o amor, tal como a amizade, uma coisa muito rara e que, quando acontece, o nosso dever aproveit-lo, por cima de diferenas de sexo/gnero, idade ( amei um homem uns bons anos mais velho que eu ), cor, origem social, convices polticas, crenas religiosas.

Estranhas que tenha filhos ( no so dois como dizes, mas sim trs, e tenho pena de no ter tido mais ). No tem nada a ver uma coisa com a outra! O bichinho da paternidade ataca por igual homos, heteros e bis... Eu, que sou um tipo mais interessado no sexo que a mdia, que julgo que sexo BOM, e sexo com amor MUITO BOM, afirmo-te que no h nada TO BOM como ver crescer uma criana e ( respeitando sempre a sua individualidade, nunca querendo que ela seja uma cpia de ns ou a projeco dos nossos sonhos ) ajud-la a crescer e abrir-se para a vida.

Espero ter respondido tua curiosidade, que me pareceu natural e que no considero de modo nenhum um atrevimento.

No posso despedir-me "com amizade" porque mal te conheo - mas estou convencido que, se te conhecesse, o faria.

Z Ribeiro.


Em: novembro 18, 2005 12:54 AM
Enoch disse:

Carssimo Jos,

Confesso que tenho passado estes ltimos dias ansioso pela tua resposta, no tanto pela resposta em si mas pela forma que poderias ter adoptado para faz-lo. Como j tive oportunidade de comentar-te por mail, quando "desci terra" apercebi-me da minha falta de pudor, de tacto e de sensibilidade, ao questionar e trazer a pblico a intimidade de uma pessoa que nem conheo. Fi-lo de boa f mas de forma pouco ponderada, levado por um impulso que deveria ter reprimido. Felizmente encontramo-nos num espao virtual e mais ou menos incgnito, onde nos permitido ser ns prprios e exprimirmo-nos com uma franqueza que talvez no nos permitssemos num espao fsico real. E como bvio, encontramo-nos no SWM, onde este tema a pedra basilar. Suponho que talvez por isso tive o atrevimento de colocar a questo e por isso tambm tu tiveste a descontraco suficiente para me responderes com uma tal franqueza e tranquilidade.
A minha questo advm do facto de nunca ter tido a mais pequena dvida no que se refere minha (homo)sexualidade e ter muita curiosidade em saber como se sente uma pessoa com as tuas caractersticas, como se vive com essa dualidade...
Enfim, no importa. :-) Muito obrigado pela franqueza e pela receptividade.
Um abrao amigo,
Enoch

PS: Custou-me trocar os "s" pelos "t" dos pronomes, mas fi-lo! No por nada; apenas porque fiz uma determinada ideia mental de ti e porque, em Portugal, uma determinada diferena de idades implica um determinado tipo de tratamento. So as formas que nos esto incutidas... ;-)

Em: novembro 21, 2005 12:39 AM