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A chuva e o vento forte tornam ainda mais difícil o caminho por entre as enormes pedras do paredão, amontoadas pelo Homem na esperança de defender a terra das investidas do mar. Rui equilibra-se como pode e faz o caminho em passos lentos, mas está determinado a chegar mais perto do fim da estrutura rochosa. O desespero provocado pelos últimos acontecimentos fazem-no andar mais para a frente sem pensar no perigo. A chuva intensifica-se e bate-lhe na cara com força. A roupa vai ficando cada vez mais pesada. A camisola de lã encharcada e a ganga das calças colam-se ao corpo e dificultam o progresso dos pés mergulhados em água dentro dos ténis. O piso irregular e o impulso do vento fazem-no cambalear e obrigam-no a deter a queda com as mãos. As arestas afiadas da rocha em que se apoia golpeiam a mão direita de Rui. O grito de dor sai abafado e é imediatamente devorado pelo barulho que o rodeia. Olha para a mão ensaguentada e aperta-a contra o peito, retomando o equilíbrio. Tenta proteger os olhos com a outra mão e olha para o fundo do paredão. Parece-lhe avistar alguém mais à frente. Mete a mão no bolso e tira de lá o telemóvel. Está morto e encharcado. Atira-o enraivecido para o chão e recomeça a caminhar por entre as rochas. Aperta mais a mão para tentar controlar a dor mas sente o corpo mover-se com cada vez mais dificuldade. Vê luz por trás dele e olha para o peugeot distante que deixou parado com as luzes acesas e a porta aberta. Vê um carro a estacionar ao lado e duas pessoas a sairem de dentro dele. Parece ser o Vasco. O outro vulto deve ser a Beatriz. Volta-se para a frente de novo e continua a caminhar. Não me posso distrair. Espera por mim! Mais um passo. Estou quase a chegar!
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