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(Newark Airport - 23/12/2005)

O momento de partida depois de uma viagem é sempre o pior. Não sei o que tem esta cidade. Talvez sejam as ruas planas, geométricas e numeradas, mas sinto que percebo esta cidade. Tenho pena de deixar este sítio. Sei que é provável nunca mais cá voltar, especialmente porque ninguém parece querer cá voltar e porque nunca conseguiria uma forma de vir para cá viver ou estudar. Quando fui a Londres a minha cabeça estava distraída com outras coisas e a minha memória da cidade é confusa. Não me recordo do nome da maioria dos sítios onde fui. Picadilly Circus salta-me à memória pelo nome engraçado. Aqui parece tudo mais simples. A cidade parece-me mais simples que Londres. Foi pena a greve dos transportes, que sabotou a planeada saída à noite e originou longas caminhadas, mas pelo menos fiquei com as pernas e o rabo mais firmes. Falta imenso tempo para o check in. Pelo sim, pelo não, chegámos mais cedo. Estou sentado na área das refeições sem a mínima fome ou vontade de conversar. Não me quero mesmo ir embora. Não me apetece regressar à normalidade estúpida da minha vida em Lisboa. Vai ser como quando fui ao Brasil. Desde aí nunca mais fui capaz de aproveitar as praias portuguesas da mesma forma. É snob eu sei, mas agora vai tudo parecer pequeno e desinteressante. Eu vou parecer pequeno e desinteressante. Não que eu aqui não seja pequeno e desinteressante também. Mas é Nova Iorque e isso não importa. Agora vou olhar para todas as coisas relacionadas com NY com um saudosismo pateta.
Ver o "Sex And The City" aqui é outra coisa. Embora atolado de publicidade (cada episódio de 20 minutos tem 3 ou 4 interrupções publicitárias) é fantástico saber que aquelas histórias se passam na cidade onde se está. Mas enfim, em breve estarei de volta a casa e às minhas coisas. Às noites de terça-feira da SIC com dois episódios de "Sexo e a Cidade". De volta à normalidade do trânsito da ponte e do stress para estacionar. Não acho muito normal não sentir falta de nada ou de ninguém de lá. Talvez sinta falta do meu portátil. Obriga-me a colocar a minha vida em perspectiva. Não vou pensar muito nisto pois tenho medo de chegar à conclusão que sou apenas a pessoa fria que finjo ser. All in all foi uma excelente viagem, embora me pareça que só eu é que me deixei apaixonar. Sinto várias coisas neste momento, mas uma que não sinto de certeza é vontade de voltar para casa.









