mar
Back and forth
Houve uma altura na minha vida em que eu achava que era imune à depressão. E dizia-o nomeadamente à minha irmã, a quem acabara de ser diagnosticada uma. Eu sentia que não existia nada que se pudesse intrometer entre mim e o meu futuro brilhante. Tinha as melhores notas da turma. Alguns amigos. Diziam-me que eu era giro. O meu boletim de vacinas dizia que a próxima vacinação deveria acontecer em 2002 e eu pensava "a minha vida vai estar maravilhosa aos 20 anos". E depois, há a queda. E a minha vida não era assim tão maravilhosa aos 20 anos. Encontrava-me muitas vezes tristíssimo e acordado durante a noite. Algures no caminho deixei de falar com as pessoas. Fui-me isolando mais e mais e nunca me consegui integrar na faculdade. Nessa altura achei que era o oposto. Achei que era imune à felicidade. Estou provavelmente numa fase mais equilibrada hoje em dia. Talvez crescer seja isso. Não sei a opinião das pessoas que se dão comigo há mais tempo, mas eu acho que estou mais crescido e tenho conseguido evitar os picos de euforia e de tristeza. E eu sei que não é bom uma pessoa analisar e analisar-se a toda a hora. Mas eu acredito que é a questionar-me que eu vou encontrar as respostas. E já não tenho tanta fobia a estar sozinho. Só não me tenho conseguido entreter muito bem e tenho-me entediado. O tédio é amigo da depressão e resistir-lhe é difícil. E acho que esse é o maior medo que eu tenho. Desocupar-me e não saber o que fazer com todo o meu tempo livre. Talvez seja altura de arranjar alguém (atenção ao itálico ;) para me entreter. Os CVs dos candidatos devem ser enviados para o e-mail do blog.









