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"... ao fundo, não se consegue ver o ponto onde o rio se deixa morrer nos braços do mar. Só se avistam os barcos que rasgam o Tejo quando se aproximam mais da ponte. Lisboa está mergulhada numa neblina misteriosa. Claro que quando se usa o nariz, a neblina perde o mistério e passa apenas a ser fumo. Fumo e mais fumo vindo dos incêndios que devoram os pinhais fora da cidade. Encosta a cabeça no apoio do banco. A ponte zumbe por baixo do carro e no telemóvel ainda pisca o envelope da mensagem. Ricardo pousa-lhe a mão na perna, mesmo antes do joelho. Viajam em silêncio. Os cabos de aço vão passando ritmadamente na paisagem enquanto ele continua a olhar pela janela e a pensar naquela paixão que se reacendeu como um fogo de verão."
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