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Tenho andado imensamente fixado e preocupado com o tempo. E não estou a falar da metereologia. No outro dia, quando estava na estação do comboio à espera, dei comigo a olhar para o relógio digital e a pensar: "este segundo não volta para trás, este também não. Agora este minuto também já passou e não volta a acontecer". Sinto uma espécie de urgência e ansiedade ao longo das semanas. Este ano está a ser particularmente rápido e vazio. O boost do início, com a saída de um dos meus empregos e a vontade de fazer melhor, perdeu-se completamente ao longo dos meses. Estou numa espécie de deriva e apesar de saber que eventualmente vou atracar nalgum lado (porque é sempre isso que acontece) sinto-me obcecado com todo o tempo que passou. Sinto-me rodeado de distracções e sinto que caio nelas todas. No messenger, na televisão, na cama a dormir até mais tarde. Não me estou a lamentar. Eu precisava mesmo de um forte reboot e só está a demorar mais tempo do que eu pensava a repor o sistema. Não sou muito ágil a mudar e sou um bocado resistente à mudança. Penso sempre em demasia em cada passo e acabo por demorar tanto tempo a (re)agir que acaba por passar a janela de oportunidade. Às vezes tenho vontade de me reconstruir. Como se fosse um bocadinho de plasticina cor-de-laranja. Amassar-me e moldar-me de forma diferente. Ser aquele tipo de gajo de que ele gosta. Aquele tipo de gajo irresistível, sem problemas e sem medos. Aquele gajo que tira um curso e que tem sucesso e uma vida invejável. Aquele gajo que vive cada dia a pensar como tudo é um enorme mundo de possibilidades em vez de cada dia ser mais um dia de uma sentença qualquer. Não estou a dizer que queria ser radicalmente diferente. Tenho qualidades das quais não abro mão e que acho que estão realmente afinadas, mas depois tenho estas faltas de ar, estes ataques de pânico e estas vontades de ser só abraçado com força. Segurado e guiado por alguém. No fundo era aquilo que eu dizia a alguém no outro dia. O que eu quero realmente é deixar de sentir este vazio.









