abr
(...)
Todos falhamos. Repete a mesma frase para o espelho. O reflexo não responde. Fita-o em silêncio com olhos negros reprovadores. Demora algum tempo a perceber que o olhar crítico lhe pertence. Que é ele mesmo que olha para si. Todos falhamos mas não tanto como eu. Veste apressadamente as calças de ganga. Deixou a roupa interior perto do sofá. Não há tempo. O tempo fugiu cabisbaixo quando se deixou beijar no pescoço. Quando inclinou a cabeça para o lado e sorriu. Quando levantou os braços para que a t-shirt fosse arrancada do seu corpo. Tenho de sair daqui. Onde é a saída? A casa parece-lhe um labirinto e ainda nem destrancou a porta da casa-de-banho. A t-shirt está manchada de culpa. Meto nojo. O telefone vibra mais uma vez e sente as lágrimas a quererem libertar-se. Calça os ténis. Respira fundo. Todos falhamos. Dá a volta à chave e abre a porta para o local do crime.(...)









