jun
(...)
As pessoas começavam já a abandonar o recinto, formigas a fugirem da hora de fecho que se aproxima como o sol da linha do horizonte. Familias. Grupos de amigo. Casais de namorados. Mas ele não. As suas companhias eram a toalha abandonada no relvado e a carteira, chaves e relógio dentro de um cacifo à entrada. Sobe apressadamente os degraus de betão. De um em um. De dois em dois. Chega ao topo e contorna a cancela de metal aberta. Lá em cima o vigia recebe-o com um sorriso intrigado:(...)
- "Tanta pressa! Ainda tens tempo. Só fechamos daqui a 5 minutos."
- "Pois." - respiração ofegante - "Eu sei... Mas queria mesmo andar neste mais uma vez."
- "Fazes bem. Não digas a ninguém, mas eu só escolho os melhores..."
- "Os melhores?"
- "Os melhores escorregas para vigiar!" - Pisca-lhe o olho.
- "Ah. Pois." - Embaraço.
- "Preparado?"
- "Sim. Deixa-me só apertar os calções melhor. Não os quero perder pelo caminho."
- "Claro que não queres. Isso só seria interessante para o meu colega lá em baixo não era?"
- "Interessante? Não percebi..."
- "Ahaha. Nada esquece." - Coloca os óculos escuros na cabeça. - "Olha sou o André." - Estende-lhe a mão.
- "Rui... Eu. Sou eu. O Rui. Eu. Chamo-me Rui." - Gagueja e cumprimenta-o.
- "Não te vi com ninguém hoje. Se precisares de boleia para sair da 'escorregolândia' posso dar-ta."
- "Ah... Como sabes que não estou com alguém."
- "Shh! É o meu super poder. Sou conhecido como 'O Vigia'. É o meu trabalho, tonto! Controlar o que se passa."
- "Pensei que o teu trabalho estava limitado aos escorregas."
- "Ora. Não fui eu que vim andar neste escorrega vezes sem conta, pois não?"
- "Oh..." - Cora. Sente uma onda de calor a vir da cara para os pés. Imagina a água a entrar em ebulição e evaporar. - "Sim. Aceito a boleia..."
- "Vá. Apanho-te lá em baixo."
- "Ok..." - Senta-se na boia.
André coloca-se atrás dele para o empurrar para dentro do túnel de plástico. Segreda-lhe ao ouvido antes de o empurrar:
- "Não finjas que te estás a afogar só para me fazeres tirar a t-shirt, OK?"









