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Prateleira da memória
Por vezes, é difícil acreditar que conseguimos superar um coração partido. Que conseguiremos deixar de sentir o que sentimos por alguém, e parece que aquela vontade de abraçar, beijar, viver e fazer amor com a pessoa nunca mais vai desaparecer de dentro de nós. Mas depois aparece alguém de quem gostámos lá longe no tempo para relembrar que os sentimentos mudam, se enfiam dentro de caixas e se atam com as correntes da racionalização. Caixas que arquivamos na prateleira da memória num misto de liberdade e tristeza por não mais sentirmos aquele amor não correspondido. É assim comigo pelo menos. E isso dá-me a força necessária para dar mais uns passos em frente porque sei que eventualmente a caixa será fechada com força e todos os dias vão parecer mais leves.









