ARQUIVO INDIVIDUAL


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27
abr

Prateleira da memória

Por vezes, é difícil acreditar que conseguimos superar um coração partido. Que conseguiremos deixar de sentir o que sentimos por alguém, e parece que aquela vontade de abraçar, beijar, viver e fazer amor com a pessoa nunca mais vai desaparecer de dentro de nós. Mas depois aparece alguém de quem gostámos lá longe no tempo para relembrar que os sentimentos mudam, se enfiam dentro de caixas e se atam com as correntes da racionalização. Caixas que arquivamos na prateleira da memória num misto de liberdade e tristeza por não mais sentirmos aquele amor não correspondido. É assim comigo pelo menos. E isso dá-me a força necessária para dar mais uns passos em frente porque sei que eventualmente a caixa será fechada com força e todos os dias vão parecer mais leves.

POR: B (12:57) | ARQUIVADO EM: Dentro da Bolha |

Comentários:
Voyager disse:

O problema é quando vamos a ver e as correntes estão de novo soltas e a caixa prestes a abrir-se de novo...

Mas obrigado pelo texto, pôs-me mesmo a pensar... :)

Em: abril 27, 2008 5:16 PM
enGine throbs disse:

Acho que depende, dos motivos que levaram ao coração partir-se...
Quando se fala de "amor", "paixão", "atracção".. eu lembro-me sempre do filme "A Guerra das Rosas" em que um amor apaixonado virou em ódio... mortal. Ou então lembro-me da velha anedota do recém marido que diz à mulher: "mas que lindo sinal que tens no rosto"... e passados 20 anos grita: "Porra que nunca mais tiras essa verruga que tens na tromba"...

Resumindo, nós nunca vemos a pessoa da mesma maneira ao longo do tempo e por isso mesmo a relação evolui... para o bem ou para o mal...

Quando um coração se parte (independentemente de quem o provoca) acho que é normal verem-se as verrugas em vez do sinais... é claro que doi... mas como diz o povo com razão, o tempo cura tudo.

Se é bom manter os sentimentos "seguros" nas caixas (pois ninguém gosta de sofrer), eu acho que é bem melhor quando eles saltam inesperadamente (ou mesmo soltá-los de vez em quando), pegar nessas correntes da racionalização e pôr esses sentimentos "tormentosos" na mesa de trabalho e mexer neles... talvez como no anúncio do magma da Optimus... em vez de guardá-los, é preferível manejá-los...
Não podemos fugir aos sentimentos... e eu que o diga que sempre tentei sufocá-los com a análise e a racionalização.

Como costumo dizer: "eu DETESTO errar, mas não há nada melhor do que aprender com os erros!"

De nada serve guardar tristezas, rancores, etc... somos nós os únicos a perder com isso.
Há que tentar descobrir a forma de dar a volta à questão... de procurar um lado positivo sobre algo que tenha corrido mal.
E não adianta dizer que é impossível...

Se da primeira vez que as correntes se soltarem, for difícil...
À décima vez decerto que será mais fácil ;)

Em: abril 27, 2008 9:02 PM
joseph disse:

uma pessoa está sempre em mudança e os contextos em que vive também.

o que eu acho mais extraordinário é que as células renovam-se todas com a aprendizagem . apenas algumas células da córnea e do coração são as mesma.

no entanto, apesar do organismo estar sempre em mudança, a nossa identidade mantém-se, devido a essa coisa magnífica que é a memória em abundância.

mas claro, aquilo que recordamos do passado não é o acontecimento exacto com todos os mesmos promenores da altura e com as mesmas emoções e sentimentos. uma mãe que recorda a morte de um filho sente a dor mas felizmente não com a mesma intensidade da dor sentida aquando do acontecimento (se não seria muito difícil continuar a viver).

tambem no amor isso se passa e quando recordamos alguém que nos provocou uma paixão intensa no passado, dificílmente essa paixão intensa se mantém. o contexto presente é outro, aprendemos novas coisas e apesar de termos a mesma identidade, já não somos os mesmos.

os mesmos estímulos provocam emoções e sentimentos diferentes em diferentes momentos do tempo.

mas apesar de tudo isto há pessoas que encontram amores passados e o amor continua lá. normalmente com um sentimento diferente e muitas vezes melhorado.

Em: abril 28, 2008 8:09 AM
VF disse:

nunca se supera um coração partido, vai se é pondo uns remendos á volta...

Em: abril 28, 2008 1:31 PM
pedro disse:

Supera-se sim. E vamos ficando cada vez mais leves. Mas claro que ficam as cicatrizes. Mas ainda bem. É isso que nos faz aprender e continuar a viver.

Em: abril 28, 2008 8:21 PM
Adão disse:

O problema é quando essas “caixas”, de tão bem arrumadas que estão, ao mais leve toque visual, são derrubadas como um castelo construído com cartas. Infelizmente… as “coisas” nunca estão arrumadas para sempre. Lembrando um castigo divino, e muitas vezes incompreendido, os tormentos não correspondidos, pelos quais passámos… voltam sempre… nem que sejam por memórias estupidamente boas, que nos tentam a vontade de ser idiotas mais uma vez.
Mas vivendo de paradoxos... o que hoje parece "mau" e sem solução... amanhã será "menos mau" e com algumas perspectivas resolutivas.
Bom conjunto de “crónicas”.
Abraço.

Em: maio 6, 2008 9:06 PM
 
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